banner desktop banner mobile

Porque é tão difícil sentar para estudar?

Porque é tão difícil sentar para estudar?

É muito comum ouvir alunos reclamando que tem dificuldade de sentar para estudar. Este ato é tão difícil quanto qualquer outra atividade que necessita de uma certa dedicação, e tende a ser desgastante quando praticada com frequência. 

Mas, se você deseja fazer residência médica, sentar e se dedicar nos estudos é fundamental para sua aprovação. 

Continue lendo e descubra, não só o porque essa prática pode ser tão difícil, como também dicas para evitar esse tipo de comportamento.


► Principais dificuldades

Primeiramente, os relatos dos alunos vão além do desgaste. Geralmente as narrativas vêm acompanhadas de um sentimento de fracasso e incapacidade

Quem nunca se deparou com uma situação em que precisa estudar muito para conquistar a tão desejada vaga?

Quem nunca teve a sensação que o dia tem apenas 16 horas e fica quase que impossível conciliar os estudos com qualquer outra atividade diária? 

Visto que, pensando nesse impasse formado pelo sentimento de dívida com os estudos e o desejo da vaga desejada, que resolvi organizar algumas reflexões.

Antes de tudo, vale ressaltar as características do cenário em que estamos vivenciando. 

O cenário de desenvolvimento no Brasil

Nos últimos trinta anos, a população mundial saltou de 6 bilhões de pessoas para cerca de 8 bilhões. Além disso, foram nesses últimos vinte anos que aconteceu um movimento antes jamais visto, a globalização.

Com isso, vários acontecimentos marcaram as mudanças entre a geração anterior e a geração atual. Ferramentas como WhatsApp, Instagram, Facebook e outras ferramentas de comunicação agregaram nas mudanças de comportamentos. 

Por isso, as grandes marcas usam essas mudanças a seu favor e fizeram marketing não só com logos e outdoors, mas também com pessoas. 

Nossa capacidade de lidar com frustrações, sentimentos e emoções, ficaram para trás, junto com a filosofia e o pensamento crítico. 

Não é por menos que a venda de antidepressivos aumentaram muito nesses mesmos últimos anos.

E como será que fica a questão do sentar para estudar?

Podemos relembrar algo muito significativo que Paulo Freire nos ensinou. O modelo de ensino tradicional que acompanhou a grande parte da população brasileira, introjetou a crença de uma educação vinculada a punição. 

Se tem uma coisa que estraga a capacidade criadora e o gosto do aprender, é o aprender obrigado sob risco de repressão. 

Ou seja, se os alunos crescessem sendo também protagonistas do próprio aprendizado, o resultado provavelmente seria diferente.

sentar para estudar

É preciso despertar um gosto pelo aprender.

Devemos lembrar que as emoções têm raízes profundas na formação da nossa personalidade. 

Com isso, começamos entender o porquê tamanha dificuldade, o motivo da repulsa e a sensação do aprender obrigado.

Um outro motivo que dificulta o interesse pelos estudos e que, frequentemente, acompanha as queixas dos alunos, é a busca quase que automática por entretenimento. 

Como comentei, nos últimos anos ocorreu uma ascensão das ferramentas de comunicações. Essa ascensão foi tão relevante que mudou totalmente as relações sociais. 

O que acontece hoje, e que pouco refletimos, é o fato que dificilmente ficamos sozinhos. Dificilmente entramos em contato com nosso silêncio. 

Por fim, a todo momento recorremos a ferramentas que nos mantém consumidores de informações.

Mas em que momento digerimos este conteúdo? 

Pensando nisso, fica mais fácil entender a dificuldade do sentar para estudar. Possivelmente esses processos de mudanças do comportamento social tem inúmeros reflexos, inúmeros hábitos que excluem outros.

Eventualmente, no caso de alunos que estão prestes a prestar as provas de residência médica, um discurso que é recorrente e que chama atenção é a questão do medo.

Não digo o medo da prova em si, mas o medo do que está por vir. 

Quem está na graduação ou já se formou em medicina, sabe o quanto o ambiente universitário é exigente e competitivo.

Contudo, sabemos que a profissão médica exige muita assertividade. Talvez por esse motivo e uma boa dose de vaidade, por parte dos alunos, façam com que o ambiente seja competitivo.

Geralmente esses alunos recém-formados estão aliviados por terem terminado a graduação e finalmente começarem ter lucro financeiro. 

Não me causa estranhamento pensar que esses alunos passam a entrar em uma espécie de zona de conforto. Apesar de frequentarem os famosos cursinhos e suportarem os tão desgastantes plantões.

Claro que este último ponto não se estende a todos os médicos, mas algo que percebo que tem aumentado são os sintomas relacionados a ansiedade e depressão. 

Existe uma resistência do sentar para estudar?

Esta relação entre as queixas dos alunos e a busca pela residência médica, me fez pensar se mesmo que inconscientemente existe uma resistência na hora dos estudos. Afinal, passar na residência médica pode significar ingressar novamente em uma trajetória competitiva e machista, deixando de lado a zona de conforto. 

Talvez nesse período extenso de estudos, as mentes estejam gritando por sossego e conforto. Enquanto a autocobrança alimenta a ansiedade e o sentimento de fracasso e incapacidade. Como citei ser muito comum nos diálogos com os médicos recém-formados.

Espero que nossos médicos saibam lidar com esses conflitos, buscando o aperfeiçoamento profissional de forma saudável. Com o acompanhamento necessário e principalmente com a sabedoria para questionar e digerir o excesso de informações.

Não deixar que suas fraquezas virem uma bola de neve cada vez maior, em que seu único refúgio é uma tela de smartphone. 

De fato, a mudança não acontece da água para o vinho. Mas ter consciência do que se passa, me parece ser o primeiro passo rumo às mudanças de comportamentos.

Por Pedro Alves – Treinador Medcoach

Siga-nos nas redes sociais e receba sempre novidades e dicas super importantes: Facebook, Instagram, Youtube

Conteúdos relevantes

Deixe um comentário

Dar nossa contribuição para a carreira médica é o melhor jeito de contribuir com a evolução da saúde no país. Junte-se a mais de 35 mil médicos e receba dicas e conteúdo exclusivo.

RECEBA GRÁTIS CONTEÚDOS EM SEU E-MAIL